Mudança? Hoje é uma constante e o foco é complicado de manter

31 Julho 2014

in Jornal de Leiria, 31 de julho de 2014

A “Sra. WEB” que oficialmente tem 24 anos, assume muitas vezes a responsabilidade pública de ter vindo acelerar as nossas vidas, mas não é responsável por tudo, foi sim uma forte facilitadora. Principalmente, democratizou o acesso à informação, Tornou o mundo de cada um de nós muito maior, mas ao mesmo tempo ficámos mais perto de tudo e de todos. Se a isto juntarmos um outro factor, o crescimento quase exponencial da população mundial, que chega hoje a cerca de 7,2 mil milhões e que em 1990 era de cerca 5,3 mil milhões, percebemos facilmente que a informação gerada é abismal. Os exemplos das consequências multiplicam-se. Hoje, o conflito num país, que muitos nem sequer conhecemos o nome, pode colocar em causa o negócio de uma PME portuguesa. Um concorrente pode surgir de um sector improvável e de um país ainda mais improvável e ser concorrente no nosso mercado nacional.

Hoje ninguém, nem mesmo uma grande empresa, pode afirmar com convicção “eu sei”. Este é o princípio número um para “gerir a mudança”. As empresas precisam de manter a humildade e a capacidade de, constantemente, colocarem em causa a sua atuação, muitas vezes dominante. As coisas mudam e a concorrência muitas vezes vem dos locais mais improváveis. As empresas estão muito mais atentas a si próprias do que ao ecossistema que as rodeia, e isso é mais um dos fatores que mata muitas empresas dominantes, o fator “arrogância”, pensar que sou inatingível. Está tudo na história, basta ver as razões porque, ao longo da história, grandes empresas caíram.

Mas é possível as empresas gerirem a sua própria mudança de forma a garantir o seu caminho com sucesso. Uma parte, e talvez a mais importante, é o factor humano. A criação de mecanismos de gestão da mudança nos colaboradores, relacionado, em geral, com várias abordagens da gestão de recursos humanos: motivando, envolvendo, incentivando, desafiando, adaptando e acompanhando os colaboradores. Não é fácil enviar os colaboradores para uma missão internacional, hoje quase obrigatória para grande parte das empresas portuguesas, sem preparar todo esse caminho, seja pelo lado da adaptação humana, seja abordagem da empresa com um todo ao mercado. A outra parte refere-se à necessidade das empresas criarem os seus mecanismos de vigilância de âmbito relacional com os seus stakeholders, que muitas vezes é a principal ponte para gerirem a vigilância tecnológica, fiscal, de mercado, entre outros. Com tudo isto podemos dizer que gerimos o conhecimento. E afinal para que serve esse conhecimento? Para validar se é preciso mudar, ou se devemos manter o caminho traçado, e claro, manter o foco. Se for preciso mudar, é preciso que esse conhecimento nos ajude também validar se possuímos as competências necessárias para mudar.

O foco, por todas razões já mencionadas, é um elemento em constante destabilização, e as empresas perdem a sua clareza na proposta de valor, caindo porque tinham informação que confundiram com conhecimento

Desta vez convidamos Carlos Oliveira, CEO da Leadership Business Consulting, a partilhar connosco como a Leadership-BC, hoje presente em oito países tão diferentes, tem feito o seu caminho em termos de gestão da mudança, gestão do conhecimento, e como o mesmo lhes tem trazido reconhecido sucesso. A Leadership-BC é uma PME da Rede COTEC, com um volume de negócio que ronda os 6,5 milhões euros. Foi considerada em 2012 a quinta melhor empresa para se trabalhar em Portugal.

Carlos Oliveira, CEO da Leadership Business Consulting

“Cada empresa está sempre a um passo de fechar”

Como encara a Leadership-BC a mudança? 

A necessidade de mudança é imposta de fora, pelos mercados onde operamos, pelos clientes e pelos concorrentes. Por isso, não temos escolha. Cada empresa está sempre a um passo de falhar, se não acompanhar a exigência de uma evolução constante e se deixar de olhar permanentemente para a evolução dos seus clientes e dos seus concorrentes.

A gestão do conhecimento é essencial para o nosso negócio. No entanto, muitas empresas gastam recursos excessivos em acumular dados, informação e conhecimento para o qual não têm uma utilidade económica. Hoje em dia, o mais importante é ter modelos de decisão rápida que vão buscar a informação necessária quando preciso. AImudou o paradigma da gestão do conhecimento, pois a informação está muito acessível em fontes especializadas, tornando desnecessário grandes sistemas internos nas empresas.

A inovação não é por si só uma coisa boa. A maior parte das inovações falham e têm um custo enorme. Por este motivo, as empresas devem ter sistemas de inovação eficazes. A maior parte dos sistemas de inovação são burocracias, que não promovem a inovação ou são modas distantes do modelo operacional e competitivo da empresa. A única inovação que interessa é aquela que está totalmente focada em acrescentar valor ao cliente final e ganho económico para a empresa. 

Jim Collins escreveu um livro brilhante sobre o que leva as grandes empresas de sucesso a falharem. Tudo começa com a soberba (hubris) e a arrogância de se julgar que “eu sei”. Ninguém pode dizer convictamente “eu sei”, nem as empresas de maior sucesso.

Texto escrito por Paulo Martins, Administrador inCentea