II. Design Thinking

31 Dezembro 2014

in Jornal de Leiria, 31 de dezembro de 2014

Ver acontecer papéis... para uma cultura da inovação

Escrever sobre assuntos que não são do domínio público invoca uma certa dose de aventura em nós, uma vez que o objetivo implicará que algo fique escrito para que seja útil para o público em geral que lhe traga algumas novidades consistentes.

A semana passada tínhamos terminado com a promessa de ver como a abordagem, centrada nas pessoas, pode ser aplicada a qualquer organização e dinâmica, da familiar à empresarial. E o seu intuito maior, resolver problemas. Como?

Podemos por começar com uma informação lapidar ao jeito de “ design thinking é uma ferramenta de inovação; é uma abordagem predominantemente de gestão, que se vale de técnicas que os designers usam para resolver problemas”. E assim entroncamos três áreas (inovação, gestão e design) distintas numa única expressão mas com esse objetivo muito nobre de: resolver problemas!

O termo foi lançado por Tim Brown, da IDEO, para conseguir expressar a diferença entre ser designer e pensar como designer. Tim fala da migração do design do nível e operacional para uma abordagem mais estratégica. Por isso os gestores, administradores, executivos, gerentes, colaboradores, e até estagiários, deveriam pensar como designers; só assim as empresas conseguirão ser inovadoras ao gerirem e resolverem os seus problemas.

Sendo que estes, só se resolvem a partir do momento em que se entendem os desafios como oportunidades para criar soluções: viáveis, enquadráveis no modelo de negócio e desejadas pelas pessoas.

Tal só será possível se as pessoas, e se quisermos as organizações, forem capazes de ser fiéis a uma mente flexível, isenta (na medida do possível) de preconceitos e certezas absolutas.

Trata-se de uma abordagem altamente multi-disciplinar onde envolvemos as pessoas diretamente envolvidas no serviço na idealização das soluções, num processo que chamamos de co-criação. Procuramos também sempre, assim como no design de produtos, prototipar os conceitos, ideias, soluções, antes da sua implementação final.

Uma metodologia criativa e inovadora que coloca as pessoas no centro das soluções. Uma nova forma de pensar e solucionar problemas, focada na empatia e colaboração, tal como referimos já a semana passada.

Colaboração levada ao extremo e exercitada nos diferentes níveis de interlocutores: ousar por a senhora da limpeza a tentar resolver um problema do responsável financeiro e/ou vice-versa. Porque os níveis de visão de uma mesma situação são díspares e, como tal, passíveis de muitas visões: Daí o título inicial que invoca papéis no sentido que estes se podem inverter, ou no sentido de que tudo se pode escrever e desenhar como que a tentar fazer o desenho das soluções, dando-lhes vida e existência fugazes mas aparentemente operacionais.

Numa cultura de inovação, é preciso gerar o maior número de ideias possível e, usando um sistema de criação rápida de protótipos, implementar todas as que forem viáveis. Esta área tem-se expandido, evoluído sendo um grande auxílio para pensar melhor um projeto, para obter contribuições concretas a partir de situações reais, para fazer experiências de forma mais inteligentes e significativas e para inspirar a tomada de decisões estratégicas.

Podemos afirmar que design thinking é olhar para alguma coisa que não esteja em cena, deslocando o olhar do cenário convencional para vislumbrar cenários futuros. É um processo exploratório que pode conduzir a descobertas inesperadas e inovadoras ao longo da sua trajetória. Visa a atender às necessidades das pessoas com aquilo que é tecnologicamente viável e que, através de uma adequada estratégia de negócios, transforma tais necessidades em valor para o cliente e numa oportunidade de mercado.

A inovação exige que as empresas adoptem a experiência real de seus clientes e que estimulem o pensamento divergente entre os seus colaboradores. É preciso haver disposição para se relacionar com os problemas e identificar uma grande variedade de soluções com base nas necessidades do consumidor. Sabendo que, no mundo das tentativas, nem sempre se acertará, às primeiras tentativas, na solução mais adequada. Porém, para o design thinking “fracasso” é reconhecer que uma ideia não deu certo, aprender rapidamente com as falhas e seguir em frente para desenvolver o quanto antes novas ideias, colocá-las em prática por protótipos ágeis e testá-las novamente até acertar. O grande desafio dos gestores é reconhecer quando um fracasso pode ser um ponto de sucesso.

O design thinking agrega métodos e técnicas que permitem criar novos conhecimentos dentro da organização além de auxiliar as empresas a identificarem novas oportunidades para inovar em seus negócios através da compreensão dos desejos das pessoas, gerando valor.

Abílio Lisboa

Design Thinking – levar metodologias às organizações

Algumas técnicas a usar nos processos desenvolvidos nas organizações

1. Braimstorming: técnica que consiste na reunião de pessoas com diferentes conhecimentos, confrontados com um tema ou problema para proporem sem censura, soluções rápidas, tantas quanto for possível: com a particularidade da diversidade de funções formação dos envolvidos no processo de recolha de ideias

2. Pensamento Visual: técnica que utiliza desenhos para expressar uma ideia para obter resultados diferentes caso fossem expressos por palavras ou números. Ajuda a libertar dos métodos de expressão habitual dos envolvidos, permitido uma abordagem da realidade e dos problemas em paradigmas não habituais dos envolvidos.

3. Mapa de Empatia: técnica ajuda ir além das características de um cliente e desenvolve uma melhor compreensão do meio ambiente, comportamento, das suas preocupações e aspirações. Questiona, o que pensa, sente, ouve, vê, o que fala e faz, o quais as suas dores e necessidades. Implica um distanciamento que permite um olhar panorâmico sobre as realaidades em análise.

4. Prototipação física: enquanto numa metodologia tradicional de desenvolvimento de produtos e processos, a prototipagem é aplicada no final do processo, após ter-se definido a premissa do projeto. No Design Thinking, ocorre justamente o contrário, a prototipagem se torna-se um meio pelo qual se analisa o problema e se desenvolvem as premissas da solução: desenhando e redesenhado as soluções imaginadas durante os processos exploratórios.

Artigo escrito por Abílio Lisboa, inCentea

(texto publicado na edição de 31 de dezembro de 2014, do Jornal de Leiria)