I. Design Thinking

24 Dezembro 2014

in Jornal de Leiria, 24 de dezembro de 2014

I. Design Thinking... do mistério da expressão à expressão do conceito

Fomo-nos habituando, todos, independentemente do habitat geracional e/ou cultural a viver modas e tendências transversais a várias dimensões da existência humana.

Ao sermos confrontados com novas designações pode-nos parecer que estamos diante de mais um elemento passageiro que permitirá um conjunto de gente manter-se ocupada em mais sessões de formação, workshops, ações intra e extra empresarias que a seu tempo serão substituídas por algo que, entretanto, se há-de revelar mais atual e inovador (quantas vezes já vimos este filme, sem mistério nenhum!?).

Não sabemos se será assim. Sabemos que há aqui uma atitude que se nos revela inspiradora de uma determinada transformação copernicana nas abordagens às mais diversas realidades humanas e empresariais.

E aqui podemos referenciar os caminhos que têm sido tentados nas dinâmicas empresarias de um modo geral e na inCentea em particular. Podemos sublinhar a Inovação como um dos motores que têm presidido a todo um conjunto de dinâmicas internas e externas, essencialmente, porque o Futuro nos bate à porta todos os dias e nós queremos ser dos primeiros a estar lá a recebê-lo.

Serve a abordagem para nos introduzir nessa dinâmica comummente apelidada de Design Thinking que permanece relativamente desconhecida do público em geral. Referência e atitude com que temos tentado percorrer as realidades recentes com que nos temos envolvido ao nível do Marketing e da Inovação que nasce e acontece na inCentea: não só para nós, internamente, como para o cliente que procura uma outra relação com os seus clientes  e/ou fornecedores. E a novidade acontece, nomeadamente em ambiente organizacional, porque nada acontece sem que a centralidade esteja nas pessoas. Como?

Começamos por referenciar a Empatia, porque sem esta não há conhecimento, identificação, capacidade de se por no lugar do outro, e vice versa, de viver as alegrias e tristezas, anseios e desejos, convicções e meras opiniões… que são afinal o sujeito e/ou a sua circunstância que convém dissecar no confronto com os desafios lançados.

Nada disto pode acontecer sem que o essencial esteja presente e esse, desde o início da humanidade que se repete, são as pessoas. Pessoas que ou criam caminhos de relação, e por isso de Colaboração, ou ficarão sujeitas à lógica do quero posso e mando, que não faz acontecer mais do que o decreto e umas tantas ou quantas vontades subservientes. Na lógica colaborativa, as aportações são democráticas, sentidas, partilhadas, discutidas, dissecadas porque vistas à lupa de quem vive e não de quem, supostamente, manda.

Por fim, e talvez a dimensão mais provocadora, nada acontece sem que aconteça a Experimentação, atingindo até a chamada prototipagem. Porque só assim podemos vivenciar (em laboratório) como se da realidade se tratasse e colher dessa mesma experiência uma aproximação única à realidade e à capacidade transformativa desta. Quer esta seja uma família, uma organização, um serviço, sempre em andamento e sempre abertos à eterna novidade do mundo.

A convicção é a de que a abordagem, centrada nas pessoas, pode ser aplicada a qualquer organização e dinâmica, da familiar à  empresarial. Haveremos de ver como…

Abílio Lisboa

Ficamos por aqui, esta semana, não sem ainda questionarmos um especialista internacional de origem leiriense que, atualmente, desenvolve a sua atividade profissional a partir da Alemanha, Adler Looks Jorge:

1. Design Thinking, nova Atitude ou Tendência passageira nas organizações?

É uma maneira de pensar que ao longo da última década tem vindo a amadurecer e a ser aplicada em vários campos como no Design e em Business, criando novas áreas como o Service Design e Business Design. Nas organizações tem vindo a ter uma aderência positiva, no entanto bastante lenta.

Comparo esta transformação com o aparecimento do user-centred design nos anos 70, que apenas se democratizou décadas mais tarde.

Design Thinking é, essencialmente, avançar com novas ideias rapidamente, empowering people, seguindo o mantra 'repetir (iterar) rápido e falhar barato', ou seja, usando métodos para testar e validar ideias, rápidos e de baixo custo.

2. Implicações facilmente visíveis nas organizações que adotam dinâmicas de Design Thinking no seu dia a dia?

Simplificação de processos (dentro da empresa, assim como na interação com os clientes), novas abordagens de realização de negócios, com particular destaque na inovação. Se bem que a maioria tem uma noção de inovação muito curta, ou deturpada, esquecendo-se que se não for aplicada em massa não passa de uma boa ideia.

Quando o Design Thinking é adotado em toda a organização a velocidade de teste e exploração de novas ideias escala, enquanto os custos inerentes decrescem. Em consequência, existe um focus maior em projetos que tenham impacto e de grande utilidade.

Antes do Design Thinking olhava-se para os processos de uma maneira muito minuciosa, desconfiada, o que era lento, caro e nem sempre trazia melhorias. Muitas vezes pioravam e complicavam-se os processos

Apesar do motor principal do Design Thinking ser iteração, no meio empresarial, é preciso reforçar a atitude anterior dos anos 70, "abordagem, centrada nas pessoas", porque ainda não é adotada na maioria das empresas.

O dizer que é um método dos anos 70 não significa que não é importante, mas que já deveria ter sido adotado, e não o sendo, é oportuno voltar a falar nisso. A grande novidade é a sublime diferença entre o "centrada nas pessoas" e o "empatizar-se com as pessoas", ou seja: não é necessariamente seguir os que as pessoas dizem que querem/precisam mas perceber o que faz sentido (ressonantes) e satisfaz efetivamente as suas necessidades.

Faz sentido descrever o motor principal do Design Thinking como (1) começar por empatizar com os vários stakeholders envolvidos e (2) processo de iteração rápida e barata.

Texto escrito por Abílio Lisboa, inCentea

(texto publicado na edição de 24 de dezembro de 2014, no Jornal de Leiria)